Populares, de boa audiência, cheios de aventuras, uma incessante luta do bem contra o mal e, às vezes, dignos de boas risadas, é assim que são vistos, por muitos, os mais diversos programas policias exibidos em rádio e TV diariamente. Desde o in memorian Jacinto Figueira Junior, o homem do sapato branco, que vários jornalistas, apresentadores (e até criminosos) tornaram-se famosos e conhecidos do público brasileiro. Hoje em dia as tardes do telespectador são sempre pródigas de pautas policialescas que, não raro, assumem picos de audiência invejáveis. As páginas policiais do jornal impresso já não comporta tantos casos: é traficante que matou rival, adolescente que tomou veículo de assalto, filho que matou pai e mãe, estudante detido com arma na mochila, mulher violentada quando ia para o trabalho, polícia que apreendeu tantos quilos de maconha ou cocaína, e tantas outras notícias do gênero. À vista de tudo isto nos questionamos: onde vamos parar? Porque o noticiário policial é sempre tão volumoso? Qual a origem de tanta violência?
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, divulga e incentiva os chamados “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – ODM”. A meta da ONU com este programa é o combate à pobreza, constituindo-se em um grande passo da humanidade rumo à mitigação da miséria e da desigualdade. E uma das oito metas propostas pelos líderes mundiais é a “promoção da igualdade entre os sexos”.
O ingresso da mulher no mercado de trabalho foi uma grande conquista, afinal, significou a inclusão e conseqüente melhoria de qualidade de vida às mesmas; além de ter introduzido definitivamente a sensibilidade no ambiente de trabalho. Por outro lado, com a saída da figura da mãe, o lar ficou desnorteado e sem seu maior referencial, e passou a perder alguns de seus valores basais. A família, célula máter, sem esse referencial de valor, começou a desagregar e a influenciar outras instituições como a escola, que deixou de ser formadora e educadora, e tornou-se apenas repassadora de informações; e, consequentemente, a igreja, que já não tem o mesmo alcance de outrora na vida das pessoas.
Segundo alguns sociólogos, a fé, outrora fundada nos pais, agora está fundada nos amigos, por isso tanta influência negativa e tantos jovens iniciados em drogas, e que hoje tomaram lugar dos mais velhos e tornaram-se maioria absoluta nas cadeias e prisões de todo o país. Mas o que dizer então? Existe remédio para tal problema (que é de todos)? Claro que sim. Mas, aparentemente, é um pouco amargo, pois para a obtenção deste ganho pela sociedade implica renunciar momentaneamente a outros. Como é sabido, as mazelas mencionadas são, em maior parte, frutos das desigualdades sociais e da desagregação do lar, faz-se então necessário trilhar pelo caminho inverso: sendo solidário às metas propostas pela ONU e permitindo maior tempo dos pais com os filhos. Aí está a maior dificuldade e o remédio amargo a ser tomado, visto que a diminuição das horas de trabalho e, conseqüente, renúncia dos empresários a parte de seus lucros, é algo fora de pauta para muitos deles. Sem essa perspectiva, as instituições estruturais mencionadas continuarão pedindo socorro, e as prisões abarrotadas de jovens com futuro comprometido; e a polícia sendo o grande desaguadouro de querelas e mazelas da sociedade, esperando o dia em que a sua represa também se rompa e todos sejam devorados pelas águas que nós mesmos acumulamos.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário